País Basco/Oeste

 

Um projeto com pouco mais de 20 anos transforma a realidade do País Basco, uma região de apenas 7,3 mil quilômetros quadrados entre Espanha e França, em um dos mais instigantes e bem-sucedidos cases de sucesso da atualidade mundial.

A decisão de investir em educação, qualidade de vida e desenvolvimento fazem da região de apenas 2,2 milhões de habitantes uma virtuosa referência econômica. Boas práticas empregadas pelos espanhóis vão contribuir para o desenvolvimento territorial do Oeste. Pelo menos essa é a intenção de um programa de aproximação iniciado há cerca de três anos e que teve mais um capítulo ontem, em encontro de líderes na Acic, em Cascavel.

Organizado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico Sustentável de Cascavel, o evento trouxe à região o presidente da Garapen, Fernando Nebreda, os prefeitos de Oberá, Carlos Fernandes, e de Mocoretá, Fábio Lovatto, além de empresários e diretores de agências de desenvolvimento. Nebreda expôs os fundamentos de um projeto que inspira várias ações semelhantes, que cria oportunidades e melhora as condições de vida de muita gente.

A exemplo do Oeste do Paraná, o País Basco também está em uma região de fronteira estrategicamente posicionada. “E isso abre possibilidades incríveis”, conforme o presidente da Garapen, uma central que gere a atuação de 33 agências de desenvolvimento local.

O País Basco é a sétima região da União Europeia em número de pessoas que concluíram o ensino superior. A renda per capita é de 30 mil euros (cerca de R$ 140 mil), o que garante a ela a posição de número 23 nesse ranking entre as 271 regiões organizadas do continente. “E vamos melhorar nos próximos anos em função da decisão da Grã-Bretanha de se retirar do bloco”, conforme Nebreda. Um dos aspectos decisivos para a transformação educacional e econômica do País Basco está na seriedade como o ensino de qualidade é tratado. “De cada dez euros, destinamos seis à educação”, afirmou o presidente da central.

Colaboração
A intenção do País Basco e do Oeste é de criar um marco de cooperação permanente para o diálogo, a troca de informações, parcerias e negócios. “Vamos contar com uma plataforma comunicacional que nos ajudará muito nesse processo”, diz o presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico Sustentável de Cascavel, o engenheiro civil Edson José de Vasconcelos.

O presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, fez uma apresentação à comitiva espanhola. Ele mostrou números da cooperativa e citou a importância do movimento na construção de uma das regiões economicamente mais desenvolvidas do Brasil. A reunião contou com a presença de vários líderes, entre eles o vice-prefeito Jorge Large, o secretário do Desenvolvimento Econômico, João Andrade, e vereadores.

Modelo baseado na indústria

O País Basco conta com alguns dos melhores indicadores econômicos da Europa. Além de destaque em renda per capita e educação, também é referência em modelo produtivo com forte integração à área industrial. O PIB industrial da região é em média 10% maior do que a europeia. “Não temos grandes recursos naturais, por isso precisamos refletir e encontrar caminhos que nos conduzissem à prosperidade”, diz o presidente da Garapen, Fernando Nebreda.

Do resultado econômico do País Basco, 33% se deve à indústria da transformação metálica. A região de Mondragón é modelo em cooperativismo, centralizando o maior reduto de empresas dessa matriz de todo o continente. As cadeias produtivas locais merecem destaque, com atividades em 11 áreas. A região também conta com seis centros de investigação básica de excelência, quatro parques tecnológicos, três sociedades de capital de risco, dois centros tecnológicos e duas plataformas tecnológicas.

O diretor de Eventos da Acic, Carlos Guedes, um dos organizadores da visita da comitiva espanhola a Cascavel, informa que a cooperação é uma ferramenta determinante em uma época sem fronteiras e de tantas possibilidades. “Parcerias entre Oeste e País Basco poderão trazer, a médio e a longo prazo, avanços para uma região que já se destaca pela excelência, pela organização e pela diversidade econômica”, ressalta Guedes.

Crédito: Assessoria